domingo, 10 de outubro de 2010

pedras arts

Um misterioso círculo de pedras gigantes foi descoberto no Amapá. As primeiras escavações levam a crer que os astros regulavam a vida e o cotidiano dos indígenas que o construíram.



Heitor e Silvia Reali
Nas proximidades da cidade litorânea de Calçoene, 390 quilômetros ao norte de Macapá, encontra-se um dos monumentos mais importantes da arqueologia do País. Conjunto de pedras maciças organizado por mãos humanas, às margens do igarapé Rego Grande, essa descoberta vem atraindo a atenção de cientistas de todo o mundo.
Ninguém ainda tem certeza sobre como ele foi feito, nem sobre quais eram os seus propósitos. O local acaba de ser batizado oficialmente como Parque Arqueológico do Solstício, o primeiro do gênero no Brasil. Guardando as devidas proporções de tempo, história e dimensões, o conjunto se assemelha a Stonehenge, o famoso círculo de pedras pré-histórico da Inglaterra. Por isso, ganhou o apelido de Stonehenge amazônica.
Heitor e Silvia Reali
O pesquisador Felipe, do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), passeia por entre as pedras do círculo de Calçoene. Muitos cientistas acreditam que o complexo megalítico é na verdade um grande observatório astronômico construído há muitos séculos por nossos índios.
Para a comunidade científica brasileira, a certidão de nascimento do parque não é nova. Estudiosos sabiam da existência de vários conjuntos de pedras erguidos por humanos no Amapá há muito tempo, mas eles nunca tinham sido realmente estudados. O interesse atual pela descoberta do sítio arqueológico de Rego Grande se justifica por conta das suas dimensões muito maiores, quando comparadas aos outros conjuntos encontrados anteriormente.
A expansão da pecuária na Floresta Amazônica foi o que provocou o descobrimento. Contratado em 2005 para pôr fogo no mato a fim de ampliar a área de pasto destinada à criação de búfalos, Garrafinha, como gosta de ser chamado Lailson da Silva, deu de cara com essas enormes pedras. Avisou o fazendeiro, e este, diferentemente da maioria de seus colegas, que preferem ficar na moita ao descobrir vestígios arqueológicos, com medo de desapropriações, procurou logo o Estado para vender suas terras, pois tinha certeza do seu valor histórico.
Logo depois da sua descoberta, o lugar passou a ser visto como mal-assombrado pelos moradores das proximidades. Visões, vozes, luzes e casos ocorridos no interior do círculo de pedra ainda são narrados por eles. Uma boa história é contada por Garrafinha: “Uma vez, um cara tirou um vaso cerâmico de lá e o levou para casa. A partir daí, todas as noites ele acordava tomando porrada não sei de quem. Só depois de ele apanhar muito é que alguém juntou o fato com o roubo da cerâmica. Então, ele devolveu o pote ao local de onde tinha sido retirado. Depois disso, nunca mais apanhou da assombração.”

Um comentário:

João Bosco Maia disse...

Estive já por aqui e cá estou outra vez. Belo espaço para as letras, para a poesia, para o pensamento... para tornarmos mais claros nossos caminhos! Ao mesmo tempo em que te mobilizo para removermos este triste índice de 2 livros/ano por leitor brasileiro (na Argentina são dezoito livros/ano),
te convido a conhecer meus romances. Em meu blog, três deles estão disponíveis inclusive para serem baixados “de grátis”, em formato PDF.
Um grande abraço e boa leitura!